domingo, 1 de junho de 2008

Ex-rei do Nepal Só Sai do Palácio em Dia Propício





ORDEM DE DESPEJO: O rei, ou melhor, ex-rei Gyanendra, 60 anos, recentemente [na quarta-feira, 28 de maio de 2008] deposto de seu trono por decisão de uma assembléia que aboliu a monarquia no país, está procurando casa para morar. O ex-monarca tem duas semanas para deixar o palácio de Narayanhity [foto], onde residia desde 2001, quando assumiu o posto de rei. Preocupado com a mudança, requisitou o serviço de astrólogos para escolher o novo endereço e já cogita em ficar no palácio até o começo de julho. Ele alega que o período astrológico da fase negra terminará neste período e, naturalmente, não quer se mudar nesse "baixo astral". Gyanendra sempre governou orientado pelos místicos, agendando suas decisões de acordo com os "auspícios" [a sorte] dos dias e das horas. Quando o ex-rei finalmente desocupar o "imóvel", por bem ou por mal, o palácio será transformado em museu.

O Nepal tem uma população de 29,5 milhões de habitantes divididos em 55 etnias diferentes que falam 48 línguas. Sofrendo que grave deficiência educacional com 51% da população analfabeta, o país vive mergulhado no misticismo e no folclore e até bem pouco tempo, o monarca era considerado muito mais que um mero governante mas adorado como reencarnação da divindade hindu Vishnu.
Desde o início, o reinado de Gyanendra foi marcado pelo mal presságio. Tornou-se rei em virtude de uma tragédia sangrenta: seu irmão, o rei Birendra, muito amado pelo povo, foi assassinado a tiros, em junho de 2001, juntamente com toda a a família, a mulher e duas filhas, durante um jantar, pelo próprio filho mais velho, o príncipe Dipendra.

Apesar de, a princípio, ter-se falado em uma conspiração de Gyanendra, a investigação concluiu que o príncipe agiu por conta própria e que era perturbado mentalmente. Dipendra tinha um histórico depressão, alcoolismo e abuso de drogas ilegais. Estava em conflito aberto com os pais: escolheu para se casar noiva que pertencia a uma dinastia rival. O rei ameaçou deserdá-lo do trono. O príncipe abateu a família usando dois rifles de assalto e uma pistola 9 mm. Chegou a ser proclamado rei, posto que o inquérito não fora concluído, mas se matou pouco depois, em 04 de junho.

Agora, além de despejado, Gyanendra muito provavelmente vai ter de economizar, inclusive com astrólogos. Enquanto rei de uma dinastia que governou por 240 anos, era riquíssimo. Uma fortuna estimada de em mais 1 bilhão de euros, ações e outros negócios. Além do patrimônio pessoal, herdou todos os bens da família morta. Mas o novo governo, de maoístas-republicanos, é chato mesmo: preparam já o confisco que deve "garfar" boa parte dessas riquezas. Impopular, Gyanendra também tem um filho, o ex-príncipe Paras Shah, que abusa do álcool, anda armado e já foi acusado de assassinar duas pessoas, livrando-se do processo por interferência da família real. A última monarquia hindu do mundo chegou ao fim mergulhada na degeneração do sentido da nobreza.

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