segunda-feira, 29 de junho de 2009

Turismo de Morte!


Ser Aborígene: trabalho duro na indústria do turismo


Desde o seu surgimento [entre os séculos XVII e XIX, coincidindo com a Revolução Industrial], a indústria do Turismo só fez crescer. Em números contábeis e em modalidades, em produtos oferecidos.

O turismo histórico, religioso, terapeutico ou o turismo do meramente exótico hoje dividem preferências com atrações das mais estranhas, do desconfortável ao essencialmente mórbido. Hoje temos o turismo ecológico, as trilhas, florestas, montanhas, corredeiras, cavernas etc. com seus terrenos lamascentos, frio, calor, umidade, insetos rasteiros e voadores.

Nesta pós-modernidade, o tédio-preguiçoso humano [com tudo, com os outros e consigo mesmo] tornou-se tão monstruosamente esmagador que até pagar para sofrer parece mais atraente e do que se reinventar e reinventar o dia a dia.

Todos os anos, milhares de pessoas contratam as excursões entre perigosas e sado-masoquistas. Os milionários russos pagam rindo 12 mil dólares para visitar o Pólo Norte e serem impedidos pelos guias de se atirarem nas águas mortalmente gélidas. Mas é preciso fornecer uma piscina, no deck no navio quebra-gelo, cheia da mortalmente gélida água do ártico para que os clientes possam ter a sensação de quase morte por hiportemia. Depois eles tiram fotos fazendo pose ao lado do quebra-gelo.

Um passeio mais em conta é o roteiro na Taiga siberiana. Cento e cinquenta dólares por dia pela oportunidade única de passar o tempo todo caminhando, comendo raízes, nozes e frutinhas silvestres. [Francamente, compra logo um açoite e se chicoteia! Ajoelha no milho. Custa bem menos. Poderiam ser criados espaços turísticos como chicotódromos, milhódromos ou tanqueódromos, para quem quiser lavar uma trouxa de roupa num tanque de cimento em cenário de cortiço! Meditemos...].

Para os que gostam de desgraça, existe o Dark Tourism [o Turismo das Trevas]. Atende ao gosto daqueles que apreciam ver de perto [se possível, ainda com sinais do sinistro] os locais onde ocorreram grandes catástrofes nas quais morreram muitas e muitas pessoas. É o caso da visita ao World Trade Center ou ao memorial que está no lugar das Torres Gêmeas, destruídas por um ataque terrorista em 2001. Outros destinos ultimamente cobiçados pelo público-urubu são: Nova Orleans, por causa das ruínas deixadas pelo furacão Katrina e a Tailândia, paisagem devastada pela Tsunami.


Essa faixa de mercado tem sido tão procurada que empresários do Turismo não hesitam em fabricar o produto caso ele não exista mais. É o caso da aldeia de Canibais de Kalimantan, os caçadores de cabeças da Indonésia. Ali o turista encontra legítimos! aborígenes que mostram seu artesanato [cabeças humanas reduzidas] e contam com detalhes o segredo milenar do processos de fazer um cabeção virar uma cabecinha. Também oferecem lembrancinhas feitas com partes dos corpos de seus inimigos.

Quando os turistas vão embora, o chefe da tribo entra em sua cabana e começa a vestir sua calça jeans, sua Tshirt. Os óculos escuros, lógico, estão logo ali... Os canibais são apenas um show. Os Caçadores-encolhedores de Cabeças não existem mais de 1861. A tribo foi completamente civilizada e treinada para ganhar seu sustento vendendo a representação dos antigos e bárbaros costumes de seus ancestrais. As lembrancinhas são feitas com ossos de suínos. Depois da "função", na vida real, eles comem sanduiche com batata de saquinho, tomam coca-cola, leite em pó e compram chaveiros fosforescentes que apitam em lojas de miudezas.

In Pravda English - publicado em 26/06/2009



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