O Dia de Ano Novo Lunar cairá em 17 de fevereiro, marcando o fim do Ano da Cobra de Madeira, considerado um ano de subjugação das massas e o início do Ano do Cavalo de Fogo, um agente de força bruta que acelera os acontecimentos e expõe as ambições desenfreadas em todos os espectros da vida pública.
Essa combinação específica ocorre apenas uma vez a cada 60 anos e é caracterizada por uma energia intensa, dinâmica e transformadora.
Em 1966, ocorreram eventos políticos importantes no Brasil, como a promulgação do Ato Institucional nº 4 (AI-4), que convocou o Congresso para discutir nova Constituição, e a eleição indireta de Costa e Silva como presidente. Naquele ano foi criado o FGTS.
O Cavalo de Fogo não aceita o status quo. Ele rompe as cercas. Em 2026, pode-se esperar que as instituições que suportaram inúmeras pressões populares, em 2024 e 2025, finalmente cedam ou se transformem radicalmente.
Estima-se que mais de 3.000 pessoas morreram e 250.000 ficaram desabrigadas, tornando-o um dos desastres naturais mais mortais da história dos EUA.
Desastre na Mina de Courrières: Em 10 de março, uma explosão de gás numa mina de carvão em Courrières, na França, matou mais de 1.000 mineiros, sendo uma das piores tragédias industriais da Europa.
Terremoto de Valparaíso: Em 16 de agosto, um forte terremoto e um incêndio subsequente destruíram grande parte de Valparaíso, no Chile, matando milhares de pessoas.
Tufão de Hong Kong: Em 18 de setembro, um tufão atingiu Hong Kong, causando uma grande perda de vidas.
Política e Legislação
Sufrágio Feminino na Finlândia: O país tornou-se a primeira nação europeia a conceder o direito de voto pleno às mulheres e o direito de se candidatarem.
Pure Food and Drug Act e Meat Inspection Act (EUA): Em 30 de junho, o Congresso dos EUA aprovou estas leis federais que estabeleceram padrões de segurança e rotulagem para alimentos e medicamentos.
Essa legislação foi apresentada como um marco na proteção ao consumidor mas, hoje, constata-se que, o resultado prático, foi o controle governamental sobre a produção e distribuição de alimentos no modelo atual.
Conferência de Algeciras: Realizada entre janeiro e abril, a conferência resolveu a Primeira Crise do Marrocos, na qual potências europeias (França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, etc.) discutiram o controle do Marrocos, prevenindo um conflito maior na época.
Revolução Constitucional Persa: Uma coalizão nacionalista forçou o Xá a conceder uma constituição e estabelecer uma assembleia nacional (Majlis) no Irã.
Rebelião de Bambatha: Na colônia britânica de Natal (atual África do Sul), a resistência Zulu contra as forças coloniais foi brutalmente reprimida.
Reforma na Rússia: A primeira Duma (parlamento democraticamente eleito) foi aberta em maio, mas logo dissolvida pelo Czar Nicolau II, que reprimiu a dissidência.
Ciência e Tecnologia
Lançamento do HMS Dreadnought: A Marinha Real Britânica lançou este navio de guerra revolucionário em fevereiro, que, com seu design "all-big-gun" e propulsão a turbina, tornou todos os outros navios de guerra obsoletos, intensificando a corrida naval com a Alemanha.
Telegrafia de Imagens: Em 17 de outubro, foi enviada a primeira fotografia via telégrafo.
Voo do 14-Bis: Em 23 de outubro, o brasileiro Alberto Santos-Dumont realizou em Paris o primeiro voo homologado de um aparelho mais pesado que o ar, percorrendo 60 metros.
Primeira Transmissão de Rádio: Reginald Fessenden realizou a primeira transmissão de áudio (música e voz) via rádio na véspera de Natal, nos Estados Unidos.
NO BRASIL
Congresso Operário Brasileiro: Em abril, ocorreu a sessão final do 1º Congresso Operário, um marco na organização dos trabalhadores no país.
Convênio de Taubaté: Acordo entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para a valorização do café através da compra de excedentes pelo governo.
Era uma vez... uma bruxa. Alguns dizem que é apenas uma lenda, apenas uma antiga crônica medieval. Outros afirmam que ela foi real, e sua história extraordinária de fato aconteceu.
BERKELEY... A woman, a witch, a pact, a price. The bill arrives, honey.
🎸✍🎤🔥📚💥 ROCK'N'WITCH
LAST GENERATION AI BAND
Original human Lyyrics, prompts, screenplay, edition director: Adrian Faraj/Realidade Fantástica
"Tenho certeza de que nenhum dos meus ouvintes duvidará da história, embora talvez até fiquem curiosos sobre ela. Ouvi falar desses eventos por um homem distinto que jurou ter visto com seus próprios olhos, e terei vergonha de não acreditar nele..."
Naquele tempo, Berkeley era um clássico burgo medieval. Tinha um pequeno porto fluvial onde pequenos barcos navegavam o rio Sévern carregando mercadorias para Bristol ou Gloucester.
Não é uma grande cidade, mas é um centro local: tem o mercado semanal, as feiras, onde se vende e compram a lã, o sal, as ervas, as frutas, tecidos, ferragens, ferramentas e informações.
Pouco se sabe sobre sua vida cotidiana, mas os registros de sua morte revelam pistas intrigantes. Seu funeral demandou esforços, materiais e preparações que apontam para o perfil de uma mulher de boas condições financeiras – viúva, com filhos influentes.
Uma família católica: sua filha era freira em um convento próximo e, um de seus filhos, era monge, em uma abadia.
Em pleno século XI, por volta do ano 1065 – havia instabilidade política na Inglaterra. Reis saxões lutavam contra invasores normandos.
Ter filhos na Igreja significava, no mínimo, uma certa influência social e recursos. Sim. Dinheiro. Ela tinha dinheiro. E multiplicou muitas vezes a herança módica do marido comerciante vendendo seus, muito especiais, serviços de feitiçaria.
Ninguém se lembra do nome dela. Poderia ser Eleanor ou Rosamund, isso não foi registrado: mas, ela foi e é bruxa de Berkeley, uma certa mulher conhecedora dos augúrios, dos oráculos, das cartas, dos filtros mágicos, da exótica arte de prever o futuro observando o voo dos pássaros. A mulher, que para alcançar riqueza e poder, fez um pacto com o próprio capiroto, ele mesmo, Satanás.
Uma vez aliançada ao Canhoto, sua fome de poder foi além do dinheiro. Entregou-se a todo tipo de prazeres mundanos incluindo glutonaria e luxúria desenfreada por que tudo isso agradava a seu mestre, o demônio.
Por anos, viveu uma vida dupla: respeitada na comunidade, em segredo, praticava o extremo da maldade. Vivia bem. Destruiu inúmeras vidas e jamais foi descoberta.
Mas, o dia chegou. Ela viveu chafurdando em seus crimes até a velhice. Um dia, um corvo mensageiro trouxe notícias funestas. Um de seus filhos morrera em um acidente distante e sua própria morte se aproximava. Era chegada a hora de cumprir sua parte no contrato, cumprir o pacto, pagar o preço, sua alma.
Aterrorizada, ela confessou seus pecados aos filhos restantes e implorou proteção. Na tentativa de escapar das garras do cramunhão, ela deu instruções minuciosas.
"Costurem meu corpo em uma pele de veado, coloquem-no em um sarcófago de pedra. Reforcem a tampa com ferro e chumbo e prendam tudo com três pesadas correntes de ferro.
Rezem, rezem 50 salmos por três dias e três noites, celebrem a missa todos os dias para diminuir os ataques ferozes dos meus inimigos. E só então me enterrem na igreja. Embora tão graves sejam meus pecados que temo que a própria Terra rejeite meu cadáver."
Seus filhos restantes, um filho monge e uma filha freira, obedeceram a todas as regras, mas o diabo não perdoa dívidas e não se deixa enganar por artifícios materiais ou piedade tardia.
Durante a vigília, coros de clérigos cantaram hinos ao redor de seu corpo. No entanto, demônios atacaram as portas da igreja, que haviam sido trancadas com uma barra de ferro.
Nas primeiras noites, demônios rugiram do lado de fora da igreja, mas as correntes resistiram. As portas tremeram, mas ainda prevaleceram.
A estrutura do prédio foi abalada, as janelas vibraram. Lá fora, o grande Satã comandava sua horda sombria montada em seu cavalo negro. Cães infernais rondavam o templo, latindo ferozmente, rugindo famintos.
Apesar de tudo, a parte central da porta, de construção mais elaborada, permaneceu firme. Os religiosos intensificaram seus esforços.
Ao final da terceira noite, ao amanhecer, quando o primeiro galo cantou, o próprio inimigo, invocando as poderosas forças do inferno, rompeu todas as barreiras.
Vitrais explodiram, a porta se abriu com enorme violência. O pânico tomou conta do lugar. Padres e freiras correram, desmaiaram e se jogaram ao chão em fervorosas orações por socorro.
Então, entre os gritos apavorantes e apavorados de entes infernais e religiosos desesperados, um demônio colossal apareceu, cavalgando um enorme cavalo negro sobrenatural, que tinha uma rede de longas e afiadas pontas de ferro nas costas.
Satanás quebrou as correntes como se fossem palha, chutou a tampa do caixão e, arrastando a mulher pelos cabelos, prendeu-a à sua garupa e galopou para longe, seguido por uma legião de cães infernais e uma legião de sombras monstruosas.
A Bruxa de Berkeley, foi levada para o inferno, de corpo e alma.
A horda de condenados galopou para o abismo e seus gritos ecoaram por quilômetros.
Assim termina a história da Bruxa de Berkeley, um aviso medieval sobre os perigos do pacto com o mal, onde nem correntes de ferro nem preces podem salvar uma alma condenada.
Há mais de quatro mil anos atrás, na região da antiga Mesopotâmia, em uma cidade chamada Ur, nasceu um menino. Seu nome: Abrão que significa louvado Pai. Ele foi o nono descendente de Sem, filho de Noé, sobrevivente do Grande Dilúvio. Agora, preste atenção:
Noé viveu 350 anos depois do Dilúvio. Seu tempo de vida, completo, alcançou 950 anos.
Sem, filho de Noé, viveu 600 anos. Ele tinha 100 anos após o Dilúvio e viveu mais 500 anos.
Abrão nasceu cerca de 292 anos após o Dilúvio (usando a cronologia de Gênesis 11). Isso significa que Abrão, de Ur, na Caldéia, tinha 8 anos quando Noé morreu. O jovem Abrão, uma criança, conheceu Noé, ouviu Noé, conheceu Sem, ouviu o que Sem tinha para contar. ´
ÁRVORE GENEALÓGICA DE ABRAÃO
No sossego das montanhas viveu Abrão, escondido com aquela parte da família, os auto-exilados, longe da degradação das cidades da planície de Sinear dominada pela tirania de Nimrod, filho de Cush.
Trezentos anos. Trezentos anos, apenas, com testemunhas oculares vivas, depois do Grande Dilúvio, a Humanidade já estava mergulhada na brutalidade da ganância, da intriga, do poder, da violência gratuita, da decadência moral, superstição e bruxaria.
A vergonha é grande.
O pai de Abrão chamava-se Tera, um filho da linhagem de Sem que esqueceu rápido a história vivida por seus ancestrais. Ele caiu. Caiu na tentação do poder, da vaidade que demanda os apetites grotescos das mais baixas paixões do ser humano.
Tera era um lacaio de luxo de Nimrod, um cortesão. Sua profissão era esculpir ídolos devidamente consagrados; figuras de madeira e pedra de deuses mortos nos quais a recente civilização pós-dilúvio depositava sua fé, em ritos de adoração primitivos e desprovidos de lógica.
E foi na noite que Abrão nasceu, que todos os servos de Tera, e todos os homens sábios de Nimrod, e seus mágicos vieram e comeram e beberam na casa de Tera, e eles regozijaram-se com ele naquela noite.
E todos os sábios do rei e seus mágicos foram surpreendidos com a visão, e os sábios entendiam este assunto, os especialistas bêbados, disseram uns aos outros: isso só significa que o filho que nasceu a Tera, nesta noite, vai crescer e ser frutífero, e multiplicar, e possuir toda a terra, ele e seus filhos, para sempre, e ele e sua semente matarão grandes
reis, e herdarão suas terras.
Pronto! Lascou-se Abrão.
E os sábios e mágicos foram para casa naquela noite, e estes sábios... se levantaram de madrugada. Reuniram-se e diziam uns aos outros: Eis a visão que vimos na noite passada é desconhecida do rei, que não foi dada a conhecer a ele.
E se essa coisa chegar ao rei, nos últimos dias, ele nos dirá: Por que vocês esconderam esse assunto de mim, e depois vamos todos sofrer a morte; portanto, vamos dizer ao rei a visão que vimos e sua interpretação, e mantenhamo-nos puros.
E assim fizeram. Foram ao rei, prostraram-se diante dele e disseram: Que o rei viva, o rei pode viver.
Nós ouvimos que um filho nasceu de Tera, filho de Naor e nós, ontem à noite, fomos à sua casa, e que comemos e bebemos e nos alegramos com ele naquela noite.
E quando os teus servos saíram da casa de Tera, para ir passar a noite em nossas respectivas casas, levantamos os olhos ao céu, e vimos uma estrela grande que vem do leste, e a mesma estrela correu com grande velocidade, e engoliu quatro grandes estrelas, dos quatro lados do céu.
E os teus servos ficaram surpresos ao verem que aconteceu, e ficamos muito apavorados, e fizemos o nosso juízo sobre a visão, e sabemos, por nossa sabedoria a interpretação adequada que essa coisa se aplica à criança que nasceu a Tera, que vai crescer e multiplicar-se muito, e tornar-se poderoso, e matar todos os reis da terra, e herdará todas as suas terras, ele e a sua descendência para sempre.
E agora nosso senhor e rei, eis que temos dado a conhecer-te o que temos visto sobre esta criança.
Se lhe parecer bem ao rei, a dar o seu valor ao pai por esta criança, vamos matá-lo antes que ele cresça e aumente na terra, contra nós, de forma que nós e nossos filhos venhamos a perecer por sua maldade.
Sim, o buxixo pretensamente profético de um coletivo de ocultistas primitivos condenou baby Abrão a morte pelo crime-idéia antecipado de abolição do estado tirânico de direito do reino de Sinear.
- Entrega o bebê, disse o legislador, delegado, o promotor, procurador, juiz, executor, o rei Nimrod.
Mas, mas, mas... balbuciou Tera.
- Não tem mas, mas - sentenciou Nimrod - ou entrega o golpista ou incluo você no inquérito, confisco tudo que você tem, teu ouro, tua prata, teus rebanhos, confisco teus parentes, teus aderentes, toco fogo em tua casa e extermino tua linhagem e teus simpatizantes, vou churrascar todo mundo nas chamas de uma fornalha. Passa o bebê prá cá!
Deu 72 horas para o cortesão cumprir a pena. Diante da situação, Terá, cidadão de uma terra de corrupção, resolveu "dar o migué" no rei. Utilizou um truque antigo: trocar o babe Abrão por um sósia de recém-nascido. Afinal, quem vai reconhecer um recém-nascido?
Tera, substituiu Abrão pelo filho recém-nascido de uma serva. Dane-se a serva. Está escrito, no Livro dos Justos:
"E no terceiro dia que o rei mandou chamar Tera, dizendo:
- Manda-me o teu filho por um preço como falei para ti, e caso não faças isso, eu cumprirei a sentença e matarei a ti e a todos na tua casa, de forma a que nem um cão te reste.
E Tera apressou-se. Ele apoderou-se de uma criança, filho de um dos seus servos, que a sua serva tinha gerado naqueles dias e levou a criança para ao rei, e recebeu um valor por ele.
E o rei tomou a criança de Tera e a jogou de cabeça com toda a sua força para o chão..."
O réu verdadeiro foi levado em segredo para as montanhas do Cáucaso, há mais dois mil metros acima do nível do mar, entre as colinas de Quba Rayon. Ali, foi entregue à tutela de seus avós, ancestrais: Noé e Shem.
"Ele foi para Noé e seu filho, Shem, e ele permaneceu com eles para aprender a instrução do Senhor e os seus caminhos, e ninguém sabia onde estava Abrão, e Abrão serviu Noé e Shem seu filho por um longo tempo.
Abrão esteve na casa de Noé por 39 anos; e Abrão conhecia ao Senhor desde os três anos de idade, e ele andou nos caminhos do Senhor até o dia de sua morte, como Noé e seu filho Shem lhe tinham ensinado."
E foi assim, com esse espírito elevado na verdade, que o jovem Abrão pisou pela primeira vez nas ruas sujas e caóticas de Ur. Introduzido como um clandestino na família de seu pai.
Dos 39 aos cinquenta anos Abrão viveu principalmente na cidade. Notemos que Abrão era descendente de pessoas longevas, pré-diluvianas, criado com homens que viveram 950, 600 anos.
Está escrito no Livro dos Justos:
"E no quinquagésimo ano da vida, Abrão, filho de Tera, saiu da casa de Noé e foi para a casa de seu pai."
E Abrão conhecia o Senhor; e andou em seus caminhos e instruções; e o Senhor, seu Deus estava com ele. Tera, seu pai, além de escultor de ídolos, também era, naqueles dias, capitão do exército do rei Nimrod e adorava deuses estranhos. Estátuas, E Abrão, na casa de seu pai, via doze deuses ali, de pé, no templo doméstico. A raiva de Abrão se acendia quando ele via essas imagens na casa de seu pai.
Em termos de fé, situação de Abrão era bastante delicada. Ele recebeu ensinamentos no exílio, nas montanhas do povo de Sem, os remanescentes do Dilúvio, fiéis ao Deus de seu pai Adão, fiéis ao Deus do patriarca Noé.
Abrão aprendeu sobre um Deus Onipotente, onipresente, onisciente, criador de todas as coisas. Um Deus que o homem não pode ver.
Um Deus que o intelecto humano não consegue conceber em sua inteireza mas, um Deus que se faz perceber nos pequenos e grandes milagres da vida. O Deus que escolheu a família de Noé, instruiu a construção da Arca e permitiu a Noé e seus descendentes sobreviver e contar tudo o que aconteceu antes do grande Dilúvio.
Porém, no contato com a casa de seu pai, Tera, na cidade, Abrão, desde cedo, percebeu a diferença brutal entre os ensinamentos dos antigos e a religiosidade espetaculosa dos caldeus: rituais diários, idolatria, sacrifícios, superstições, politeísmo e estátuas, muitas estátuas.
Questionar a religiosidade do próprio pai, da cidade inteira, foi inevitável. De muitas maneiras lógicas, Abrão tentou mostrar ao pai a tolice daquelas crenças. Era inútil. Além do medo de se comprometer em sociedade, Tera era um comerciante de estátuas. As vendas de ídolos garantiam uma boa renda.
No apócrifo, Apocalipse de Abraão, o filho de adepois de observar por onze anos a realidade, retira-se da cidade e, nas montanhas, reflete sobre Deus. De volta à casa de seu pai, chamou-o e disse-lhe:
"Em verdade, mais digno de veneração que todas as imagens é o fogo, pois muitas coisas que de resto a nada se submetem, a ele se entregam. Os objetos facilmente perecíveis convertem-se em cinzas em meio às chamas.
Todavia, ainda mais digna de veneração é a água, porque ela vence o fogo e também aplaca a sede da terra. Mas, a essa, ainda, não chamo Deus. A água submete-se à terra, para a qual se inclina.
Assim, digo que mais digna de veneração é a terra, que sobrepuja a natureza da água. Mas a ela também não chamo Deus, porque ela é ressecada pelo sol e serve às edificações do homem.
Porém, mais digno de veneração ainda que a terra é o sol, pois com os seus raios ilumina o mundo. Mas nem a este eu chamo Deus, pois o seu curso é obscurecido pela noite e pelas nuvens.
Nem a lua e as estrelas eu chamo Deus, porque, a seu tempo, no decurso da noite, perdem a sua claridade.
Ouve isto, meu pai, Terá, pois vou anunciar-te o Deus que tudo tem criado, não aqueles que consideras como deuses!
- Onde ele está? O quê ele é?
- Quem fez azul ao céu, flamejante ao sol?
- Quem cobriu de luz prateada a lua e as estrelas?
- Quem secou as terras no meio das muitas águas?
- Quem colocou a ti mesmo no mundo?
- Quem veio em meu socorro, na confusão do meu pensamento?
- Que Deus, por si mesmo, possa se revelar a nós!"
APOCALÍPSE DE ABRAÃO, APÓCRIFO
Capítulo 8
Revelação de Deus
"Enquanto eu falava essas coisas a meu pai, no pátio da minha casa, ouviu-se a voz de alguém que era muito forte, vinda do céu, em meio a um turbilhão de fogo, e chamou:
- "Abrão! Abrão!"
Eu respondi:
-"Aqui estou."
Ele disse:
- "Tu procuras o Deus dos deuses, o Criador, no íntimo de teu coração...
- Eu, Sou!
O QUE ACONTECEU DEPOIS QUE DEUS FALOU A ABRÃO PELA PRIMEIRA VEZ?
AS DUAS VERSÕES
VERSÃO DO APOCALÍPSE DE ABRAÃO
PARTE 1, Capítulo 9
Nesse relato, muito sucinto, a recusa de Tera em reconhecer o Deus único de seus ancestrais produz um resultado imediato, uma direção clara de Deus:
"Afasta-te de teu pai Téra! Abandona a casa, para que também tu não encontres a morte nos pecados da tua casa paterna."
Encaminhei-me para a saída. Não havia ainda chegado ao portão do pátio, quando aconteceu um tremendo estalo de trovão, com fogo caindo do céu, que queimou a meu pai, sua casa e tudo quanto nela se encontrava, até o chão a quarenta côvados de profundidade.
Nesta versão a história se alonga. O Livro dos Justos apresenta um relato detalhado do inconformismo de Abrão diante do politeísmo babilônico e, em particular, do politeísmo do pai, Téra.
Durante décadas, Abrão experimentou uma vida dupla: entre o clã auto-exilado, educado por Noé e Sem, na montanha, fiel ao Deus Vivo, monoteísta, e o povo de Ur, os adoradores de estátuas da cidade.
Nesse tempo, a profecia de seu nascimento tinha sido esquecida. Ninguém prestava atenção ao rapaz da casa de Téra.
Abrão chegou a trabalhar com o pai no comércio de ídolos. Aos cinquenta anos, foi morar na cidade em caráter definitivo e então, a situação se tornou insustentável.
Muitas vezes, Abrão tentou argumentar com o pai. Mostrar a infantilidade do culto às estátuas. Tentava demonstrar a incoerência daquela crença, a insanidade da adoração e honrarias dispensadas a meros blocos de madeira e pedra esculpidos por mãos humanas.
Abrão conhecia os males da idolatria. A perversão mental de adorar as criaturas esquecendo o Criador.
A idolatria é um desvio da percepção que enfraquece os indivíduos, afastando a Humanidade da verdadeira fonte de legítimo e justo poder. A idolatria ofusca a consciência e despreza as leis divinas submetendo as pessoas às inconstantes e imperfeitas leis de homens.
LIVRO DOS JUSTOS
CAPÍTULO 11 - O REINADO MAL DE NIMRODE
O retorno de Abraão. A idolatria de Terá
E disse Abrão:
- Somente existe um Deus vivo. Essas imagens não devem permanecer em casa de meu pai. Assim, o Deus vivo que me criou, a mim faça: destrua-me! Se no prazo de três dias eu não as quebrar. Todas!
E Abraão afastou-se delas, e a raiva ardia dentro dele. ...
E à noite, nesse mesmo dia, em casa, Abrão foi revestido com o espírito de Deus. Ele gritou, e disse:
- Ai! Meu pai e esta geração perversa, cujos corações são todos inclinados à vaidade, que servem a esses ídolos mortos, de madeira e pedra...
E Abrão vendo todas essas coisas, encheu-se de ira, pegou um machado, entrou na câmara dos deuses e quebrou, todos os deuses de seu pai.
LIVRO DOS JUSTOS
CAPÍTULO 12 - ABRAÃO E PRESO E CONDENADO A MORTE
TERA DENUNCIA ABRAÃO
Terá, vendo tudo que Abrão que tinha feito, saiu de casa apressado e foi ter com o rei. Diante de Nimrod, inclinou-se e disse:
- Peço-te, meu senhor, para me ouvir.
- Há 50 anos atrás me nasceu uma criança...
Contou tudo e para finalizar, acusou:
- Ele destruiu meus deuses.
- E agora, meu senhor e rei, chama-o para que ele venha diante de ti e julga-o, de acordo com a lei, para que possamos ser libertos de seu mal.
E o rei enviou três homens de seus servos, e foram, e trouxeram Abrão.
Acusado, diante de príncipes e servos, diante de Téra, Abrão nada negou. Ao contrário, questionou o rei, questionou os deuses e lembrou do passado recente: desobediência e destruição. Abraão argumenta:
- Por que não honras tu, ao Deus de todo o universo, que te criou e tem o poder para matar e para dar a vida? Ái de ti, ó rei, que te tornas-te um simples tolo e ignorante.
Eu julguei que tu querias ensinar a teus servos o caminho reto, mas tu não fizeste isso.
Ao contrário, tens enchido toda a terra com os teus pecados e os pecados do teu povo, que seguiram o teu proceder. Não sabes tu, nem ouviste, que esse mal que tu fazes, os nossos ancestrais também o fizeram em dias passados?
Queres repetir os antigos pecados trazendo a ira do Deus Vivo sobre ti e sobre a toda a terra? Esqueceste o dilúvio? O Deus vivo, vê todos os ímpios, e Ele, irá julgá-los.
NIMROD MANDA REABRIR O INQUÉRITO DO DESTINO GOLPISTA
O depoimento de Abrão foi um escândalo na corte. Nimrod irritou-se visceralmente. Os cortesãos ficaram chocados e, entre o conselho dos ocultistas, aqueles que, no passado, haviam previsto que um filho de Tera desafiaria a autoridade do rei, relembraram o caso.
Toda a farsa veio à tona. A fúria de Nimrod explodiu contra Téra. Cobrou explicações mas, Térah, covardemente, alegou que foi mal aconselhado por seu filho do meio, Harã.
O resultado foi pena de morte para Abrão e seu irmão, Harã. Ambos, deveriam se jogados na fornalha. E assim foi feito.
O mesmo resgate foi concedido a Abrão posto que, em nenhum momento, ele vacilou em sua fé, entregando-se completamente à vontade do Deus Vivo. Seu irmão, Harã, não teve a mesma sorte. Apavorado, envolvido no problema pela mentira de seu pai, Harã foi rapidamente consumido pelo fogo. E Harã tinha 82 anos quando isso aconteceu.
LIVRO DO JUSTOS, CAPÍTULO DOZE
Mas, Abrão, nada sofreu. Andou no meio do fogo três dias e três noites. E todos os servos do rei o viram andando no fogo. Então eles foram falar ao rei, dizendo:
- Eis que vimos Abrão andando no meio do fogo, e até mesmo a menor das roupas que estão sobre ele não são queimadas mas, a corda com o qual ele estava amarrado, está queimada.
Incrédulo, o rei levantou-se para ver o prodígio e viu: Abrão andando para lá e para cá no meio do fogo e o corpo de Haran queimado.
Espantado, o rei ordenou que Abraão fosse retirado do fogo. Os servos, tentaram cumprir a ordem mas não podiam aproximar-se da fornalha, tal era o calor emanado pela câmara. Porém, como Nimrod insistisse, tentaram de novo e oito deles morreram abrasados.
Restou apelar para que o próprio Abrão saísse da fornalha. Então, o rei o chamou:
- Ó servo do Deus que está no céu, sai do meio do fogo e fica diante de mim.
Abrão saiu do fogo e se pôs diante do rei.
- E o rei disse a Abrão: Como é que tu não foste queimado no fogo?
Abrão repondeu:
- O Deus do céu e da terra em quem confio e que tem todo o poder, ele livrou-me do fogo em que tu me lançás-te.
Diante de tamanha maravilha o rei, os príncipes, e os habitantes da terra, prostraram-se diante Abrão.
Mas, Abrão disse-lhes:
- Não se curvem a mim, mas curvem-se para o Deus Vivo, que fez vocês. E sirvam-no, e andem em seus caminhos, pois foi ele que me livrou deste fogo, e foi ele quem criou as almas e os espíritos de todos os homens. É Ele que forma o homem no ventre da sua mãe e o traz ao mundo, e é ele quem vai livrar de toda a dor, àqueles que nele confiarem.
Então, o rei e os príncipes deram a Abrão muitos presentes: ouro, prata, jóias, servos. Entre estes últimos, estavam Oni e Eliézer.
Abrão foi libertado e durante algum tempo, continuou a viver na cidade, em paz. E anquela ocasião, trezentos homens juntaram-se a Abrão. Também nesta época, Abrão casou-se com Sarai.
Porém, dois anos depois, o rei Ninrode sentado no trono, caiu em profundo sono. E sonhou... e no sonho viu Abrão saindo da fornalha com uma espada na mão. E Abrão lutava contra o rei e seus exércitos; e os vencia.
Nimrod acordou aterrorizado e convocou seus sábios para que interpretassem o sonho. E os sábios disseram:
- Este sonho nada mais é senão o mal de Abraão e sua semente, que brotará contra o rei, nos últimos dias. A semente de Abrão que irá matar o rei nos últimos dias. Agora, pois, oh! rei, certamente tu sabes que fazem agora 52 anos desde que os teus sábios viram isso no nascimento de Abrão e, se o rei permitir a Abrão viver na terra, será para dano do rei... por isso se o rei não o matar, o seu mal virá a ti nos últimos dias.
NIMROD MANDA REABRIR O INQUÉRITO DO DESTINO GOLPISTA
O depoimento de Abrão foi um escândalo na corte. Nimrod irritou-se visceralmente. Cortesãos ficaram chocados e, entre o conselho dos ocultistas, aqueles que, no passado, haviam previsto que um filho de Téra desafiaria a autoridade do rei, relembraram o caso.
Toda a farsa veio à tona. A fúria Nimrod explodiu contra Téra. Cobrou explicações mas, Téra, covardemente, alegou que foi mal aconselhado por seu filho do meio, Harã.
O resultado foi pena de morte para Abrão e seu irmão Harã. Ambos, deveriam se jogados na fornalha. E assim foi feito.
Aqui, lembramos do episódio registrado no livro de Daniel, quando os jovens Hananias, Misael e Azarias receberam punição semelhante mas, foram salvos pelo "Anjo do Senhor" frequentemente, identificado como o próprio Yarrúshua ou, Jesus.
O mesmo resgate foi concedido a Abrão posto que, em nenhum momento, ele vacilou em sua fé, entregando-se completamente à vontade do Deus Vivo.
Seu irmão, Harã, não teve a mesma sorte. Apavorado, envolvido no problema pela mentira de seu pai, Harã foi rapidamente consumido pelo fogo. E Harã tinha 82 anos quando isso aconteceu.
LIVRO DO JUSTOS, CAPÍTULO DOZE
Mas, Abrão, nada sofreu. Andou no meio do fogo três dias e três noites. E todos os servos do rei o viram andando no fogo. Então eles foram falar ao rei, dizendo:
- Eis que vimos Abrão andando no meio do fogo, e até mesmo a menor das roupas que estão sobre ele não são queimadas mas, a corda com o qual ele estava amarrado, está queimada.
Incrédulo, o rei levantou-se para ver o prodígio e viu: Abrão andando para lá e para cá no meio do fogo e o corpo de Haran queimado.
Espantado, o rei ordenou que Abraão fosse retirado do fogo. Os servos, tentaram cumprir a ordem mas não podiam aproximar-se da fornalha, tal era o calor emanado pela câmara. Porém, como Nimrod insistisse, tentaram de novo e oito deles morreram abrasados.
Restou aplelar para que o próprio Abrão saisse da fornalha. Então, o rei o chamou:
- Ó servo do Deus que está no céu, sai do meio do fogo e fica diante de mim.
Abrão saiu do fogo e se pôs diante do rei.
- E o rei disse a Abrão: Como é que tu não foste queimado no fogo?
Abrão repondeu:
- O Deus do céu e da terra em quem confio e que tem todo o poder, ele livrou-me do fogo em que tu me lançás-te.
Diante de tamanha maravilha o rei, os príncipes, e os habitantes da terra, prostraram-se diante Abrão.
Mas, Abrão disse-lhes:
- Não se curvem a mim, mas curvem-se para o Deus Vivo, que fez vocês. E sirvam-no, e andem em seus caminhos, pois foi ele que me livrou deste fogo, e foi ele quem criou as almas e os espíritos de todos os homens. É Ele que forma o homem no ventre da sua mãe e o traz ao mundo, e é ele quem vai livrar de toda a dor, àqueles que nele confiarem.
Então, o rei e os príncipes deram a Abrão muitos presentes: ouro, prata, jóias, servos. Entre estes últimos, estavam Oni e Eliézer. Abrão foi libertado e durante algum tempo, continuou a viver na cidade, em paz. E anquela ocasião, trezentos homens juntaram-se a Abrão. Também nesta época, Abrão casou-se com Sarai
Porém, dois anos depois, o rei Nimrod sentado no trono, caiu em profundo sono. E sonhou... e no sonho viu Abrão saindo da fornalha com uma espada na mão. E Abrão lutava contra o rei e seus exércitos; e os vencia.
Nimrod acordou aterrorizado e convocou seus sábios para que interpretassem o sonho. E os sábios disseram:
-Este sonho nada mais é senão o mal de Abraão e sua semente, que brotará contra o rei, nos últimos dias. A semente de Abrão que irá matar o rei nos últimos dias. Agora, pois, oh! rei, certamente tu sabes que fazem agora 52 anos desde que os teus sábios viram isso no nascimento de Abrão e, se o rei permitir a Abrão viver na terra, será para dano do rei... por isso se o rei não o matar, o seu mal virá a ti nos últimos dias
Foi um alvoroço! Foi montada às pressas uma operação de captura de Abrão. Afinal, no fim das contas, ele era um condenado a morte desde o nascimento. Hora de cumprir a pena. Um pelotão foi chamado, um capitão designado.
Cortesãos, ocultistas e servos sussurravam comentários sobre a situação. No meio do tumulto palaciano, Eliézer, aquele servo que um dia fôra propriedade de Nimrod, infiltrado nas dependências reais, tudo ouviu e viu e foi correndo, avisar Abrão. E depois de contar tudo o que se havia passado, advertiu:
- Uma guarda real está vindo... apressa-te, levanta-te e salva a tua alma, para que não morras por causa da ira do rei.
E foi assim que Abrão, aos 52 anos de idade, reunindo toda a sua família, servos, riquezas e rebanhos, deixou a terra de Ur, e começou sua jornada, rumo a Terra prometida pelo Deus Vivo.
Essa história acaba aqui. Afinal, nossa proposta era falar do jovem Abrão. O que aconteceu daqui para frente, na história do patriarca, está escrito na Bíblia que você conhece. Se você gosta desse trabalho, considere SE INSCREVER NO BLOG, É FREE E DEIXE O SEU COMENTÁRIO.
Meu comentário:
Durante toda minha vida, durante muitos anos, no meu imaginário, um profeta bíblico, um patriarca bíblico - e até reis bíblicos ou um patriarca indiano, um sábio nepalês ou chinês, eram figuras que eu associava a imagens de homens idosos, que caminham pesadamente apoiados em cajados, com longas barbas brancas. Aí, eu fui ler a Bíblia.
Vi livros enormes, longos, de profetas como Jeremias, Ezequiel, Isaías, vi os livros pequenos, como Daniel. Ouvi muitos, também, no Youtube.
De tanto ouvir, finalmente, escutei. E Jeremias me deixou escandalizado. Ezequiel me me deu até medo. Eu levantei da poltrona. E em minha mente surgiu uma constatação exata: Isso é a verdade da Bíblia, a dor, o drama, a corrupção e a vergonha incorrigíveis, em todos nós.
Sim, eu li e ouvi a Bíblia e outros livros muitas vezes. Mas a Bíblia foi o mais difícil: eu tinha um preconceito que posso resumir na seguinte idéia: Se era Bíblia, er chato. De onde veio esse preconceito? Do ouvir, do senso comum, da cultura real da sociedade na qual vivo.
Um dia, ouvi os livros Reis, I e II e deparei-me com um homem chamado Elias. E foi então que minha visão de profeta recebeu um choque e eu vi uma realidade. E até os livros que li antes voltaram a minha mente com imagens diferentes: eram homens jovens, fortes ou mesmo meninos, quase adolescentes em alguns casos.
Eles não começaram a desafiar os reis com 89 anos. Tinham força, tinham coragem. Eram incorruptíveis, incomparáveis fiéis à Verdade Revelada ainda que o preço fosse o poço, a masmorra, a tortura, a morte.
E são essas as histórias, sobre esses homens reais, que quero contar. Tire a poeira da Bíblia, passe um pano no Ramayana, vá buscar o Mahabaratha... vamos conversar e não se engane, se tem tem cajado, vai ter porrada.