quarta-feira, 15 de julho de 2009

Exorcismo Mortal

Na GUIANA FRANCESA, a Corte de Justiça condenou quatro membros da Celestial Church of Christ por homicídio, na quarta-feira [dia 24/06/2009]. As penas foram fixadas entre três e doze anos de prisão. 

Em 2005, os religiosos conduziram um ritual para exorcizar o demônio que, supostamente, possuía o jovem de 15 anos Roger Bosse. Como nos tempos medievais, o adolescente epilético foi confundido com um possesso. A Violência, demasiada e intencional, foi a causa da morte.

Foi mais uma situação produzida pela profunda ignorância das camadas mais simplórias do povo [em sociedades de, praticamente, todo o mundo]. A mãe do rapaz, que sofre de problemas mentais, levou o filho à Igreja em busca de ajuda para os ataques epiléticos. No templo, foi informada que o jovem estava possuído pelo diabo.

O remédio: espancamentos repetidos, com bastonadas e cinto, durante três dias [ou seja, queriam despejar o demônio no braço!]. Depois, o endeimonhado foi atado a uma cruz e lá ficou pormais dois dias ao fim dos quais, morreu. A autóspia mostrou que ele que a morte sobreveio com o sufocamento provocado pela exaustão da postura.

Essa Celestial Church of Christ foi fundada na África Ocidental, no Benin em 1947; hoje, seus porta-vozes garantem que têm milhões de adeptos em todo o mundo. Um a menos: o garoto assassinado em nome de uma fé que tem todas as características de uma psicopatia extremamente grave e perigosa.

Fonte: Church members jailed over fatal exorcism
In Nine News MSN - Austrália ─ publicado em 25/06/2009


ROMÊNIA. É oportuno que a Igreja Católica preocupe-se com a formação de novos exorcistas. Os casos desses rituais que terminam com a morte do possesso são cada vez mais freqüentes, até porque, os evangélicos de diferentes denominações também deram de prestar este serviço. 

Em junho de 2005, na Romênia, a freira Maricica Irina Corcine, de 23 anos, morreu de forma semelhante ao garoto da Guiana: mantida em uma cela, em jejum, durante três dias, acorrentada a uma cruz, amordaçada. LEIA O RELATO:

 
Daniel Petru Corogeanu, o barba ruiva: se o demônio não sai, destrua o templo.

Ela tinha 23 anos, tinha começado a ouvir os murmúrios, "as vozes". Em abril, com a persistência do problema, a jovem Irina foi encaminhada a um hospital psiquiátrico na cidade de Vaslui. Começou um tratamento: os sintomas indicavam esquizofrenia porém, Irina não confiou na terapia e resolveu virar freira.

Entrou para o convento. Foi então que um monge e quatro freiras resolveram tentar um outro método de cura: o exorcismo. No coração da empobrecida região a nordeste da Romênia, entre o murmúrio das orações, Maricica Irina Cornici acreditava ouvir palavras veladas que o próprio diabo sussurrava em sua mente. 

Ele dizia que ela era uma pecadora. Na semana passada [em junho de 2005], na privacidade das paredes santas, Cornici foi acorrentada a uma cruz, amordaçada e mantida em uma cela durante três dias, em jejum. 

Ali ela morreu sufocada e desidratada. O psiquiatra que atendeu Irina, Dr. Gheorghe Silvestrovici comenta:  

"Ela pensava que o Diabo falava com ela. O Diabo acusava: ela era uma grande pecadora. Era um claro sintoma de esquizofrenia e provavelmente ela estava sofrendo sua primeira manifestação da doença. Era a primeira crise. Depois da consulta, ela deveria voltar ao consultório em 10 dias mas isso nunca aconteceu."


Daniel Petru Corogeanu, 29 anos, monge, longas barbas ruivas, que servia ao convento como padre, conhecido como exorcista, declarou à imprensa que estava tentando tirar o Demônio de dentro da freira. Ordenou que fosse presa e imobilizada porque seu comportamento tornara-se violento.

Quanto à desidratação, isso deveu-se à recusa da freira em ingerir "água benta". Corogeanu e as quatro religiosas foram acusados de assassinato com agravantes depois de 11 horas de depoimentos às autoridades. Se forem condenados podem cumprir até 25 anos de reclusão. Para os jornalistas, fora da sala do tribunal, o monge alegou inocência e protestou contra a prisão.

O advogado de defesa tenta a mudança de fórum para o julgamento argumentando que não pode haver isenção quando há tanta comoção do público local. 


O caso tem sido alvo de muitos comentários da população. Ioan Hristea, um soldador de 52 anos e epilético, que conheceu Cornici no hospital, disse: "Eu acho que se eu fosse ao monastério eles teriam crucificado a mim também".

Outros opinam que o homicídio com agravantes foi um exagero dos promotores, pressionados pela opinião pública e acham que o homicídio culposo (sem intenção de matar) seria mais apropriado. 

Um advogado, membro do Parlamento Romeno, Aurelian Pavelescu, diz que "...o homicídio com agravante implica intenção de cometer o crime com o sadismo igualmente intencional. No caso, os acusados realmente acreditavam que estavam ajudando a mulher, estavam tentando curá-la de suas dores".

Em Perieni, a vila onde nasceu Maricica Irina Cornici, uma hora de carro do convento, seus parentes clamam por justiça e informam que a moça entrou para a instituição religiosa poucos dias depois da consulta ao psiquiatra.

Parada diante da sepultura marcada por um cruz simples de madeira onde se lê: "Sister Irina", uma tia da vítima, Anisoara Antohi, 29 anos, que viu o corpo de sobrinha, declarou: "Ela estava desfigurada, tinha marcas nas mãos, no estômago e nos tornozelos. Ela era uma boa garota. Deus! Isto foi muito cruel". Um outro tio, Aniosoara Anthoni, 53 anos, estava prostrado e revoltado: "Aqueles assassinos deviam ser crucificados, como ela foi."

O padre Corogeanu foi preso em Tanacu, durante um batizado, no mesmo convento onde martirizou sua vítima. Os fiéis ficaram perplexos com a "voz de prisão". Uma paroquiana perguntava: "Ele faz semões maravilhosos... Alguém sabe o que está acontecendo aqui?"  

A Igreja fechou o convento e seus portões foram acorrentados na sexta-feira (18/06/2005). Na fachada branca, foi colocado um cartaz com os dizeres: "Aqui se fala somente de Deus e nós cantamos com os anjos com muita fé."

A Igreja Ortodoxa tem condenado com veemência os rituais de exorcismo em Tanacu e classifica-os como "abomináveis". Com esta política, a Igreja deve banir Corogeanu e a as quatro freiras envolvidas na crucificação de Irina. 

Os conventos e os monastérios têm florescido na Romênia desde 1989, depois da queda do general Nicolae Ceausescu e seu brutal regime comunista,que proibia a religião.

O convento de Tanacu foi construído em 2001 com doações de um paroquiano e ainda não havia sido consagrado oficialmente pelas autoridades da Igreja. 

A morte e a revelação de que Corogeanu foi ordenado padre sem ter completado seus estudos teológicos obriga a Igreja a colocar em prática, imediatamente, rígidas regras para a admissão de candidatos ao monastério, incluindo testes psicológicos.

tradução e adaptação: Mahajah!ck [L.C. publicado originalmente em Sobrenatural.org]

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