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domingo, 24 de maio de 2026

👀 VIAJANTE DO TEMPO (ESPÍRITA). O APÓSTOLO JOÃO OBSERVA O HOMEM PRIMITIVO

Psicografia


O texto a seguir é uma versão adaptada de uma psicografia publicada em 1874. Relata a suposta visão do espírito daquele que foi o apóstolo João ou Yohanan, discípulo de Yéshua, em uma experiência transcendente no tempo e no espaço. 

O relato seria, então, o testemunho de João sobre a origem da espécie humana, confirmando a existência de homens primitivos tal como são descritos na teoria evolucionista de Charles Darwin. Este é um vídeo para ser ouvido.

Depois do testemunho do espírito, aqui serão apresentadas algumas considerações críticas às revelações espíritas.


- Meus irmãos... elevei-me para além do presente, 
e meu espírito, descortinou. 
O quê, descortinou meu espírito? Descortinou o passado...

- Adão, Adão, onde estás? 
Meus olhos procuravam-no e não o viam; eu o chamava e ele não me respondia. Adão ainda não tinha vindo. 

Onde estava Adão? 

Não me aparecia. Moisés tampouco vinha, para dizer-me onde se achava escondido o primeiro homem do Gênesis. 

Porque eu via um homem, dois homens, muitos homens e, no meio deles, não via Adão, e nenhum deles conhecia Adão. Eram os homens primitivos, esses que meu espírito, absorto, contemplava. 

Era o primeiro dia da Humanidade; porém, que humanidade, meu Deus!...
  
Era também o primeiro dia do sentimento da vontade e da luz; mas de um sentimento que apenas se diferençava da sensação, de uma vontade que apenas alcançava desvanecer algumas das sombras do instinto. 

Antes de tudo, o homem procurou comer. E comeu. Depois, procurou uma companheira, juntou-se com ela e tiveram filhos, parecidos com o pai e com a mãe. Finalmente, ele ergueu os olhos na direção do céu e, tombando pesadamente sobre a terra, dormiu. Quão nebuloso e triste é o primeiro dia da Humanidade...

Meu espírito procurava o homem, e, descobrindo-o, retrocedia. Voltava a observá-lo e, de novo, retrocedia. Porque meu espírito não via o homem do Paraíso. Via muito menos que o homem, via pouco mais que um animal. 

Seus olhos não refletiam a luz da inteligência. Sua fronte desaparecia sob o cabelo emaranhado e hirsuto. Sua boca, desmesuradamente aberta, projetava-se para a frente. Suas mãos pareciam-se com os pés, e frequentemente tinham o uso destes. 

Uma pele pilosa e grossa cobria as suas carnes duras e secas, que não dissimulavam a fealdade do esqueleto. 

Oh, se tivésseis visto, como eu, o homem do primeiro dia, com seus braços compridos e esquálidos caídos ao longo do corpo, e com suas grandes mãos pendidas até aos joelhos, vosso espírito teria fechado os olhos para não ver, e procuraria o sono para esquecer! 

O homem dos primeiros dias da Humanidade comia e bebia, porém não comia nem bebia como homem; andava, porém não andava como homem; via, porém não via como homem; amava e odiava, porém não amava nem odiava como homem. 

Seu comer era como o devorar; bebia abaixando a cabeça e submergindo seus grossos lábios nas águas; seu andar era pesado e trôpego, como se a vontade não interviesse; seus olhos vagavam, sem expressão, pelos objetos, como se a visão não se refletisse em sua alma; e seu amor e seu ódio, que nasciam de suas necessidades satisfeitas ou contrariadas, eram passageiros como as impressões que se estampavam em seu espírito, e grosseiros como as necessidades em que tinham sua origem. 

O homem primitivo falava, porém não como homem. Emitia alguns sons guturais, acompanhados de gestos, o necessário para responder às suas necessidades mais urgentes. 

Fugia da sociedade e buscava a solidão. Ocultava-se da luz e procurava indolentemente, nas trevas, a satisfação de suas exigências naturais. Era escravo do mais grosseiro egoísmo. Não procurava alimento senão para si. 

Encontrava uma companheira em épocas determinadas, quando eram mais imperiosos os desejos da carne e, satisfeito o apetite, retraía-se de novo à solidão, sem mais cuidar da companheira e dos filhos. 

Era extremamente preguiçoso. Estendido na terra, alimentava-se do que estava ao alcance de sua mão; e, sempre que se punha em movimento, seus gestos revelavam repugnância e desgosto. Passava pelo cadáver de outro homem, fixava nele um olhar estúpido, e ia além.
 
Nunca ria; nunca, os seus olhos derramavam lágrimas. O seu prazer era um grito, a sua dor, um gemido. 

O seu pensamento era superficial, incerto e fugitivo; suas ideias eram elementares e confusas; não deixavam em sua alma outro vestígio mais que aquele que em vós deixa um sonho, incoerente e fugaz. 

Pensar fatigava-o; ele fugia do pensamento como da luz. 

Considerava os animais terrestres como iguais, em natureza, a si mesmo, e considerava as aves como superiores ao homem. 

O céu girava e as estrelas luziam por cima de sua cabeça, mas ele não percebia o movimento do céu, nem o brilho das estrelas. 

Para ele não havia terra além do que divisavam seus olhos, nem outros seres além dos que descobriam os seus toscos sentidos. Vivia sem conhecer o motivo da sua vida; morria sem ter jamais pensado em morrer. 
Oh, se houvésseis visto, como eu, o homem do primeiro dia, com os seus longos e esquálidos braços caídos, e com as suas grandes mãos que chegavam aos joelhos, o vosso espírito teria fechado os olhos para não ver, e buscaria o sono para esquecer!

...Depois do primeiro dia da Humanidade, o corpo do homem aparece menos feio, menos repugnante à contemplação de minha alma. Sua fronte começa a se alinhar na parte superior do rosto, quando o vento açoita e levanta as ásperas melenas que a cobrem. 

Os seus olhos são mais vivos e transparentes, o seu nariz é mais afilado e levantado e a sua boca é menos proeminente.

...Os seus braços são menos longos e esquálidos, suas carnes são menos secas, suas mãos menos volumosas e, com dedos mais prolongados, os ossos do esqueleto são mais arredondados, mais bem dispostos ao movimento das articulações; maior elasticidade existe nos músculos e mais transparência, na pele que cobre seu corpo. 

No olhar, ele reflete o primeiro raio de luz intelectual; é um olhar inquiridor, o despertar do espírito adormecido. No seu caminhar, já menos lerdo e vacilante, nota-se a manifestação da vontade dirigida a um objetivo. 

Procura a mulher, e não mais a abandona. Assiste o nascimento de seus filhos, com quem reparte o calor e o alimento. 

Move a língua hesitante, balbuciante em suas tentativas de se comunicar. Sente novas necessidades — e ensaia os meios de exprimi-las, para satisfazê-las. Eis o princípio da linguagem: a necessidade. 


Agora, percebe como inferiores os outros animais e aprende a consumir alguns, para saciar a fome. 

Suspeita que nem tudo acaba onde termina o alcance da sua vista; que, por detrás da sua montanha, levanta-se outra e algo mais.
 
No seu olhar, vejo a surpresa e a curiosidade substituírem a estupidez. Ainda foge dos objetos que encontra pela primeira vez mas, pouco a pouco perde o temor que lhe causa a novidade. 
Evita, aceita — e, por fim, toma nas mãos o que lhe causou receios. Já o seu rosto, os seus trejeitos e as suas exclamações, revelam as emoções que povoam, sua mente e o seu coração. 

É o soldado que acaba de alcançar grande triunfo sobre um invencível inimigo. O medo. O medo, mais poderoso nele que todos os seus cálculos e sentimentos. 

O rugido das feras, o estampido do trovão, o fulgor do relâmpago, o sinistro rumor que precede a tempestade, os frequentes tremores de terra, as erupções dos vulcões e não só isto; tudo o que é novo, tudo o que é desconhecido, gelam-no de espanto, transtornam-no e aniquilam-no. 

Esquece a companheira, esquece os filhos e crê que vai morrer. Porque agora, ele sabe que tem de morrer e o temor da morte supera todos os seus outros temores. Ele viu, muitas vezes, cadáveres de outros homens e entende como inevitável o momento da própria morte. 

Já não procura a sombra e a solidão, como no primeiro dia; foge das trevas, porque tem um medo muito específico, a morte; e foge da solidão, porque se reconhece débil e impotente. A mulher e os filhos são a sua companhia habitual. 

Admira, com infantil entusiasmo, o nascer do sol quando renova-se sua consciência e suas esperanças. Contempla, angustiado, o crepúsculo que precede a grande escuridão, como se o fim de cada dia, fosse um tipo de morte, como a escuridão de olhos que se fecham para sempre.

Voltarás? — pergunta, entristecido ao horizonte. 

E o Sol reaparece... E o homem cai agradecido, de joelhos, ao contemplar o renascimento do Sol e, na sua grosseira e incipiente linguagem, exclama: 

- Graças, meu amigo protetor — meu Deus! Tu vens consolar-me. A ti devo a minha felicidade e a minha alegria. Eu te adoro!...
 
O benefício foi o primeiro deus da Humanidade, personificado no Sol, porque o Sol era o maior dos benefícios que a inteligência do homem primitivo podia conceber. 

Não tomeis por blasfêmia ou heresia essa adoração primitiva; ela é o ponto de partida da religião natural. Ela é, ainda, a raiz da moralidade das ações humanas — a primeira manifestação de agradecimento da criatura ao poder superior desconhecido.

Foi assinado:
- Eu, João.

Texto adaptado do original em Roma e o Evangelho
José Amigó y Pellicer, 1874.
https://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/l99.pdf

ESPIRITISMO: 
A CIÊNCIA QUESTIONÁVEL  DOS MENTORES
Estamos na Europa, no fim do século dezenove. 

Roma e o Evangelho, foi compilado por D. José Amigó y Pellícer e contêm os estudos filosófico-religiosos e teórico-práticos realizados pelo Círculo Cristão-Espiritista de Lérida, na Espanha, em 1874. 

O livro reúne mensagens psicografadas, alegadamente provenientes de entidades que se apresentaram como figuras conhecidas, tais como: Maria de Nazaré, Lamennais, Santo Agostinho, João Evangelista e o próprio codificador do Espiritismo, Allan Kardec

O que chama atenção nas "revelações espíritas", naquilo que se refere à ciência, é que, tais revelações jamais são antecipadas embora, não raro apresentem alegadas visões de um futuro tecnológico já implantadas em "cidades astrais".

Poderes "sobrehumanos" ou sobrenaturais, metafísicos, como a "volitação", (uma espécie de autotransporte, por modificação da própria frequência e densidade do perispírito, (o corpo do espírito) ou os trens aéreos da colônia Nosso Lar (1944), descrita no livro homônimo do médium espírita brasileiro, Chico Xavier, que foram preditos como tecnologia avançada que breve seriam replicados e comuns na Terra, até hoje, não "aconteceram". 

Outro postulado do espiritismo moderno, kardecista, afirma que o espírito humano tende da evoluir, a se elevar moralmente é outro princípio que parece falacioso. 

O que se observa no mundo da pós-modernidade é o colapso completo da moralidade resultante de uma cultura de bestialização e degeneração da criatura humana.

E quanto aos avisos dos mestres ascensos a respeito dos graves eventos recentes que abalaram todo o mundo civilizado? 

O pandemônio, as guerras, a situação no Oriente Médio, os inúmeros escândalos mundiais, celebridades, idolatria, caos social, corrupção política e financeira. Nem uma palavra nos centros espíritas?

Portanto, os relatos psicografados devem ser considerados com muita cautela. Serão, de fato, de seres humanos desencarnados, "habitantes do Além", reais? Serão fantasias do médium? Espiritismo ou contato com entidades cuja natureza e identidade devem ser vistas com suspeita?

É o que ocorre com este testemunho do suposto espírito de João Evangelista. Há muitas dúvidas sobre cada testemunho dessa natureza.

O livro, de 1874, é posterior a toda polêmica causada pela publicação das obras de Darwin, que estabeleceram no evolucionismo o processo biológico de origem da espécie humana.

A teoria da evolução de Darwin foi aplicada à antropologia e veio a público, primeiramente, de forma explícita, no meio acadêmico, com a publicação do livro A Descendência do Homem (The Descent of Man), em 1871. 

Não existe um livro espírita que apresente uma teoria de evolução humana "darwinista" (por seleção natural) antes da publicação das ideias de Charles Darwin em 1859. 

Embora o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, seja intrinsecamente evolucionista no sentido de que os seres progridem moral e espiritualmente, as obras básicas publicadas antes ou na época de "A Origem das Espécies" não anteciparam a teoria da evolução biológica por seleção natural de Darwin e Wallace. 
 
Enquanto os espíritas e seus "mentores" abraçavam Darwin, não raro, reclamando para sua doutrina, o status de Ciência, no fim do século XIX, na mesma época, os teósofos riram da teoria. 

VOCÊ SABIA?
MADAME BLAVATSKY REJEITOU
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
PARA ELA, O MACACO DESCENDE DO HOMEM


Em sua obra "A Doutrina secreta, Helena Petrovana Blavatsky", chamada Madame Blavatsky, fundadora da Teosofia, uma linha abrangente e original de pensamento sobre a origem do universo e Humanidade, rejeitava a teoria da Evolução de Charles Darwin.

Um dos manifestos dessa rejeição é um objeto histórico: o babuíno empalhado de Helena Petrovna Blavatsky, uma crítica satírica e um emblema do seu antagonismo ao evolucionismo darwinista, materialista. 

O BABUÍNO
Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, mantinha o babuíno em seu apartamento em Nova York na década de 1870, com uma aparência peculiar: ele usava colarinho, casaca, óculos e segurava debaixo do braço um exemplar do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. 

O babuíno de Madame Blavatsky ridicularizava a ciência materialista: para Blavatsky e seus seguidores, o babuíno representava a "loucura da Ciência" em oposição à "Sabedoria da Religião" (ou Sabedoria Antiga). 

Era uma piada visual, que zombava da ideia de que a humanidade descendia dos macacos unicamente por processos físicos e mecânicos.

Em A Doutrina Secreta, Blavatsky reconhece a evolução física até certo ponto mas, argumenta que a verdadeira evolução humana é um processo triplo — espiritual, mental e físico — e que o homem (ou "Mônada divina") é, na verdade, anterior aos grandes macacos e deu origem a algumas espécies de antropoides. 

Ou seja, a teosofia é um sistema de entendimento da realidade no qual o homem dá origem ao macaco em uma época remota. Porém, não se trata do homo sapiens atual mas, o homem de uma humanidade, hoje, extinta. 

Mais especificamente, a humanidade origem de criaturas como os símios foi a terceira Raça Humana, os Lemurianos ovíparos

A teoria da antropogênese apresentada por H.P. Blavatsky em "A Doutrina Secreta" é uma síntese complexa e original de filosofias orientais (especialmente hindus e budistas) e ocidentais, com elementos esotéricos únicos, como a teoria das sete raças-raízes

Embora ela tenha se baseado em textos antigos, a formulação específica e detalhada de sua teoria não tem um precedente direto em uma única fonte ou pensador anterior. 

Blavatsky afirmou que sua obra era baseada em um lendário manuscrito esotérico, o "Livro de Dzyan", e em ensinamentos de mestres reencarnados

Ela própria posicionou sua teoria em oposição direta ao darwinismo predominante na época. 
Os principais postulados da Antropogênese na teoria de Blavatsky, postulados únicos, de fato,  em  sua singularidade, são:

Raças-Raízes: A ideia de que a humanidade evolui através de sete raças-raízes principais em nosso planeta, cada uma com sub-raças, ao longo de milhões, muitos milhões de anos.

Origem Não Física: As primeiras raças (polares, hiperbóreos, lemurianos) eram etéreas, astrais ou andróginas, tornando-se físicas gradualmente.

Longas Eras: Uma cronologia da existência humana física muito mais longa do que a aceita pela ciência ou religião ocidental da época (18 milhões de anos).

Cosmogênese e Antropogênese Interligadas: A evolução humana está intrinsecamente ligada à evolução do próprio cosmos e dos globos planetários (rondas e cadeias planetárias).
 
Escrituras Antigas e Antropogênese Teosófica :

Embora a síntese de Blavatsky seja única, ela utilizou conceitos encontrados em tradições muito mais antigas:

Filosofia Hindu (Vedas e Puranas): A ideia de ciclos cósmicos (Yugas e Manvantaras), a evolução através de diferentes planos de existência e a origem espiritual do universo são conceitos-chave no hinduísmo, que Blavatsky reinterpretou e incorporou em sua estrutura teosófica.

Platonismo e Neoplatonismo: Conceitos de emanação, hierarquias espirituais e a descida da alma para a matéria têm raízes na filosofia ocidental antiga, particularmente em pensadores como Plotino.

Ocultismo e Hermetismo: Tradições ocultistas ocidentais e a cabala já lidavam com a evolução espiritual e a natureza oculta da realidade, mas geralmente sem a estrutura detalhada de raças-raízes ou a cronologia específica de Blavatsky. 

Em resumo, não existe um autor ou teoria anterior única que apresentasse a teoria da antropogênese exatamente da mesma forma que Blavatsky. 

Sua abordagem foi uma compilação e reinterpretação idiossincrática, original, de diversas fontes antigas, apresentada como uma "Doutrina Secreta" universal e até então oculta. 

FONTES
Félicité de La Mennais
https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9licit%C3%A9_de_La_Mennais
Roma e o evangelho.
https://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/l99.pdf
(Félicité Robert de Lamennais, ou La Mennais (1782 – 1854)
O Babuíno da Madame Blavatsky. 
Por P. Washington. (Pp. 470; ilustrado) 
Seeker & Warburg: Londres. 1993.
https://resolve.cambridge.org/core/journals/psychological-medicine/article/abs/madame-blavatskys-baboon-by-p-washington-pp-470-illustrated-2000-seeker-warburg-london-1993/942A7DFABF59EDFFF023F7DB67D3AE24