segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mistérios da Múmia de Altai



RÚSSIA/MONGÓLIA – Em 1993, no Planalto de Ukok, região de Altai, fronteira entre Rússia e Mongólia, arqueólogos encontraram a múmia, de uma mulher. O achado, datado em cerca 2 mil e 500 anos de idade, ficou conhecido como a Princesa de Altai ou Princesa de Ukok. Até hoje, a causa da morte continua sendo um mistério.

Em junho de 2010, cientistas de Novosibirsk fizeram um exame de ressonância magnética na múmia. Foi a primeira vez, na Rússia, que um corpo mumificado da Antiguidade foi estudado com o auxílio de um scanner desse tipo. Especialistas ainda estão estudando as imagens e, segundo o presidente do Centro de Ressonância Magnética do Departamento Siberiano da Academia de Ciências Russa, Andrei Letyagin, os resultados finais devem ficar prontos em breve: Entre maio e junho de 2011.

Todavia, apesar da minúcia do exame, pouca esperança há de que o procedimento resulte em grandes revelações porque os orgãos internos foram removidos antes do sepultamento, inclusive o cérebro. Estes órgãos não foram encontrados. Os egípicios antigos costumavam guardar e sepultar esses orgãos em vasos, os canopos ou vasos canópicos, próximos da múmia. Não é o caso desta múmia.

Mas nem tudo é desconhecido nesse caso. Os cientistas já sabem que a Princesa não morreu em consequência de lesões ou injúrias externas. Letyagin explica: Seu crânio está completamente preservado bem como os outros ossos.
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Além disso, análises conseguiram obter o DNA da Princesa.A descoberta ajudou a reconstituir a história étnica dos Pazyryks, povo que habitou as montanhas Alyai entre os séculos IV e III a.C. (anos 400 a 300 a.C.). A descoberta da múmia resultou de investigações realizadas no hoje denominado Cemitério Ak-Alaka-3, um dos mais importantes achados arqueológicos das últimas décadas.

A mulher cuja idade, na ocasião da morte, foi estimada em torno dos 25 anos vestia um casaco de pele, usava uma peruca e um cinto vermelho, considerado símbolo que identifica um guerreiro. Em uma das mãos, segurava um bastão, objeto ritual feito de pau-larício (tipo de abeto).

Durante um período remoto da História, que pode ser aqui definido como pré-budismo Sakyamuni, esses bastões eram tidos como ferramentas de criação e somente pessoas consideradas divinas portavam-nos. Na câmara funerária havia também seis cavalos selados. Tudo indica que, de fato, a jovem pertencia a um clã nobre.






Ira dos Deuses

Ela não pertence a nenhuma das etnias chamadas amarelas. Sua aparência é européia. Tinha 1 metro e 70 cm de altura. A análise de DNA e halogrupo sanguíneo (R1a) revelou que era ariana. Os aborígenes dizem que a múmia é sua ancestral, progenitora.

Chamam-lhe a Princesa de Kadyn ou Kydyn e acreditam que era uma sacerdotisa. Crêem, ainda, que sua morte foi voluntária para proteger a Terra dos espíritos malígnos. Ela tem tatuagens nos braços cujo significado, não foi decifrado e os nativos da região afirmam que essas tatuagens carregam informações muito importantes para toda a Humanidade.

Como muitas múmias, também a Princesa carrega uma maldição ou, ainda, seu corpo intocado guardaria um encantamento de proteção. Os cientistas vêm sendo advertidos, pelos residentes do Planalto, que a perturbação dos restos mortais de tão destacada e poderosa figura despertou a Ira dos deuses. Logo depois que a câmara funerária foi "violada" um forte terremoto ocorreu na região. Os moradores pediram a cientistas que devolvessem a múmia à sepultura para evitar novos desastres. Sem sucesso. Há rumores de que o número de incêndios florestais e tempestades aumentaram depois da descoberta.






Tatuagens

Com tudo isso, o maior mistério dessa múmia é o significado de suas tatuagens. Ambos os braços são tatuados dos ombros até as mãos mas somente as figuras do braços esquerdo estão preservadas. No ombro esquerdo, distingue-se um animal mítico, um cervo com chifre com bico de abutre. Os chifres são a adornados com cabeças de abutre e também a parte traseira da criatura. Há também uma ovelha que tem entre as pernas a boca de uma de uma pantera da qual pode-se ver a longa cauda.

Algumas interpretações foram consideradas: o confronto entre abutres e animais de caso seria o conflito entre dois mundos: um predador, do mundo inferior, subterrâneo e os herbívoros, que pertencem ao mundo do meio (humano).

Outra teoria vê nas tatuagens a representação de totens do clã: Arkhar e Irbis. Segundo a lenda local, os leopardos da neve guardam o caminho para Shambala, país (cidade, reino) que os nativos mongóis-siberianos chamam de Altai Belovodye (Água Branca) O Irbis é um animal sagrado, um leopardo da neve; jamais o caçam.

Atualmente, a Princesa está aos cuidados do Museu de Arqueologia e Etnografia de Novosibirsk. O povo e o governo da República de Altai reivindicam a devolução da múmia. Os cientistas recusam alegando que em Altai não existem instalações adequadas para preservar o achado. Porém, está prevista para 2012, no Altai, a reconstrução do museu Nacional de Anokhin, na cidade de Gorno-Altaisk onde será instalado um mausoléu semelhante à câmara funerária original visitantes poderão ver a múmia em um sarcófafo encapsulado à vácuo em uma vitrine de vidro.



FONTE: BUKKER, Igor. Tattoos of Princess of Altai conceal mankind's biggest mysteries.IN Pravda-English, publicado em 05/abril/2011
[http://english.pravda.ru/science/mysteries/05-04-2011/117452-Princess_of_Altai-0/]


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