quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Retorno dos Exorcistas II



Janeiro de 1999. Na foto, o cardeal Jorge Medina Estevez, do Chile segunrando o livro De Exorcismis et Supplicationibus Quibusdam (Dos Exorcismos e Súplicas), obra que contém as orientações do Vaticano para a diagnóstico e realização de exorcismos, atualização do antigo manual datado de 1614. AP Photo/Marco Ravagli

NOVA IORQUE, US Baltimore. Exorcistas e exorcismos estão em alta demanda neste admirável mundo Pós-pós-modernidade. Neste mês de novembro (2010) já foram realizados dois importantes encontros de despachantes do demônio pertencentes à Igreja Cristã Católica. Um na Polônia e este, nos Estados Unidos. Encontros como esse reafirmam a crença do Cristianismo do Vaticano nestes estranhos fenômenos, considerados sobrenaturais: possessões.

Estes seminários expressam uma realidade de um problema que vem se agravando e a Igreja Católica-cristã precisa enfrentar: estão faltando exorcistas cristãos-católicos (e sobrando evangélicos). Nos seminários são realizados cursos de treinamento sobre como realizar o Exorcismo. É uma disciplina, uma especialização do sacerdote.

No seminário de Nova Iorque, o programa de estudos reúne temas e práticas básicas: estabelecer uma explicação bíblica que esclareça a existência e essência do Mal; instruir o clero a fazer o diagnóstico da possessão, ou seja, como avaliar se uma pessoa está verdadeiramente possuída; rever as orações e rituais que compõem o Exorcismo. Entre os palestrantes, o cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston, Texas, e um sacerdote-assistente de Nova Iorque, o arcebispo Timothy Dolam.

DiNardo explica: Aprender o rito litúrgico não é difícil. O problema é o discernimento que o exorcista precisa ter antes de resolver por pela realização do rito. De acordo com o Catholic News Service, que divulgou o evento, mais de 50 bispos e 60 sacerdotes se inscreveram. Exorcismo é uma questão polêmica. Mas, ao que parece, o Vaticano de Bento XVI resolveu fazer um up-grade e mea culpa completos dando continuidade a um processo iniciado por João Paulo II: renovação do discurso público do cristianismo-católico... antes que seja tarde demais!

Exorcismo é um ponto delicado da doutrina Católica. Existe, atualmente, um forte interesse na formação mas a cúpula da Igreja tem evitar que a discussão caia no ridículo. Em 1999, o Vaticano atualizou o ritual e advertiu que tudo deve ser feito para evitar a percepção do exorcismo como algo relacionado à magia ou superstição.

O exorcismo é uma espécie de serviço prestado pela Igreja Cristã do Vaticano. A prática, quase entrou em desuso ao longo dos séculos porém, com o crescimento das denominações/Igrejas evangélicas e seitas outras, hoje, a demanda vem crescendo, especialmente na Europa, América Latina e África.

O cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi secretário do Papa João Paulo II, revelou, algum tempo depois da morte daquele pontíficie, que o Santo Padre aplicou um ritual de exorcismo em uma mulher que foi levada até ele se contorcendo e gritando. Dziwisz afirma que era um genuíno caso de possessão pelo diabo.

Nos Estados Unidos, o ritual é visto com indiferença senão com preconceito dentro do clero norte- americano. Lá, existem poucos exorcistas habilitados. Todavia, a demanda do serviço vem aumentando também nas terras Tio Sam.

Segundo Dom Thomas Paproki, de Illinois, que organizou a conferência, as dioceses norte-americanas estão sobrecarregadas com pedidos de avaliações. O ex-exorcista oficial da arquidiocese de Nova Iorque, reverendo James LeBar, não dava conta dos pedidos e viajou por todo a país atendendo ao chamados para diagnosticar e realizar exorcismos.

A verdadeira possessão, todavia, é coisa rara. Neal Lozano, escritor católico, autor de Unbound, A Pratical Guide to Deliverance (algo como Libertação: Um Guia Prático), livro sobre a luta contra os maus espíritos, diz conhecer um exorcista que recebe cerca 400 chamados por ano. Entre tantos, somente 3 ou 4 exigem o exorcismo.

Não há, ainda, uma explicação acadêmica para o aumento da demanda de exorcismos nos Estados Unidos. Dom Thomas Paproki acredita que essa demanda acompanha um interesse crescente das pessoas pela espiritualidade de maneira geral. Muitas pessoas abandonam as Igrejas, que são a religião organizada e se lançam por conta própria em práticas ocultistas.

Frequentemente, cometem erros e ficam confusos. Retornam então à Igreja porque acreditam que, de alguma forma, algo de nocivo está acontecendo em suas vidas e buscam nos padres ajuda e explicações. Por outro lado existe o crescimento do contingente de imigrantes e seus descendentes, originários de países onde o exorcismo é mais comum.


O exorcismo é um ritual muito antigo e claramente admitido pelo Cristiasmo em seus Evangelhos, nos quais Jesus aparece expulsando demônios (embora Jesus não usasse qualquer ritua além de uma ordem clara: sai, get out...). A teologia cristã-católica-Vaticana considera que, em geral, todo católico recebe um Mini-exorcismo ou pequeno exorcismo por ocasião do batismo. Essa é, aliás, uma das finalidades do batismo: 1. renunciar a Satanás (no caso do batismo, por procuração por que bebê não renuncia a nada.. meditemos...); 2. para anular na criança a mancha do pecado original.

O verdadeiro exorcismo, de acordo com as normas do Vaticano, somente pode ser realizado por um padre que tenha a permissão de seu bispo para isso. Antes, porém, é necessário fazer uma avaliação completa com a participação de médicos clínicos e psiquiatras para descartar qualquer doença física ou psíquica que sejam a causa do comportamento anômalo da pessoa/vítima.

São sinais de possessão demoníaca aceitos pela Igreja Cristã-católica Vaticana: reação violenta ou rejeição à água benta e/ou a qualquer outro objeto santo; falar em língua estranha à pessoa possuída; força física anormal

O ritual deve ser realizado em recinto fechado e inclui aspersão de água benta, a benção (fazer o sinal da cruz) recitação de salmos e outras orações, leitura de trechos dos Evangelhos, imposição das mãos, comando firme para ordenar a saída do demônio e seu retorno ao lugar de onde saiu.

O Papa Bento XVI acredita que desde o Concílio Vaticano II, nos anos de 1960, o aspecto sobrenatural da Igreja se perdeu em meio às reformas modernizadoras. O resgate do exorcismo é, também, o resgate do elemento divino da Igreja Católica e chama a atenção para a crença oficial de que o Mal é real.



FONTE: ZOLL, Rachel. Catholic bishops: More exorcists needed
IN MSNBC/AP publicado em 12/11/2010
[http://www.msnbc.msn.com/id/40151974/ns/us_news/?gt1=43001]



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