segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Petróleo: Que Coisa Chata!



OPINIÃO
L. Cabús

Eis que o Brasil descobriu a Pré-Sal. Uma gigantesca, supõe-se, reserva de petróleo nas mais profundas profundezas do mar. Não é mal... mas também não é motivo para a histeria mitômana que tomou conta do marketing governamental.

Na TV, imagens de povo sorridente, o elogio ufanista à Petrobrás: parece até que a empresa fabricou aquele petróleo com as próprias mãos! O slogan, Um Novo País! produz um sentimento de dejavú: algo anos 1970. Prá frente Brasil, milagre brasileiro, treinar, treinar para obter sempre melhores resultados.

Então teremos um novo país! Movido a energia velha: combustível fóssil. O combustível feito da gosma dos cadáveres dos organismos que viveram nas mais arcanas Eras geológicas. Petróleo, o ouro negro que atiçou [e ainda provoca!] tantas guerras brutais. Para quê serve mesmo?

Ah, sim: para fazer gasolina e óleo diesel; para produzir mais fumaça pestilenta e, claro, serve para fazer plástico, cosméticos e outras bugingangas mais. É; o petróleo AINDA e lamentavelmente serve para essas e umas outras tantas coisas. Só que já não é a única nem a mais rentável matéria-prima para essas coisas; especialmente no Brasil.

Qualquer um que acompanhe, ainda que superficialmente, o avanço das novas tecnologias de combustíveis e de produção de materiais percebe: o petróleo está com os dias contados. Nos livros colegiais, o petróleo e seu primo, o carvão, passaram a ser chamados de energias sujas.

Os carros elétricos saíram dos boxes de protótipos futuristas dos Salões de automóveis e estão nas lojas e ruas européias. Logo estarão no Brasil e vão se tornar a regra na paisagem urbana. A indústria das fibras e óleos vegetais, a adoção de compostos biodegradáveis aos poucos, mas cada vez mais rápido, tomam o lugar da indústria petroquímica.

Então, pergunta-se: mais petróleo para quê? Até quando? Por quê? Para prorrogar um sistema errado de produção de energia a partir de substâncias fósseis? Porque o mundo tem de continuar adiando a adoção do carro elétrico e a definitiva expansão dos metrôs? Porque não investir na eletricidade, no processamento do hidrogênio, na potência solar, eólica, das marés? Para não incomodar os velhinhos...

O mundo não pode e não deve deter o progresso ecologicamente correto. Somente os barões da prospecção e da indústria do petróleo têm interesse em manter as coisas como sempre foram. Não querem ser incomodados com as novidades que, em poucas décadas, fatalmente tornarão seus negócios ultrapassados, deficitários.

A multidão da Humanidade que espere esses barões morrerem; eles e suas gerações, os ricos herdeiros de hoje que não querem se tornar pobres deserdados do petróleo amanhã. Dá até para imaginar a fila dos sem-fortuna de ex-petro-dolares-euros esperando no banco para retirar a mesada do seguro-falência mendigado nos Congressos nacionais. Mas o melhor para os magnatas do sujo ouro negro é rebolar! Arregaçar as mangas, queimar as pestanas e mudar de rumo o quanto antes para investir naquilo que realmente tem futuro. Meditemos...




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