terça-feira, 23 de junho de 2009

120 Mil Anos Dormindo


No conto de fadas, a Bela dormiu cem anos. Na Groenlândia, na vida real do mundo microscópico, a minúscula bactéria, nova espécie descoberta, despertou depois de 120 mil anos de sono, sepultada três quilômetros abaixo de uma camada gelo. Os pesquisadores que a encontraram dizem que ela é um tipo de vida que pode existir e se manter no gelo neste ou em outros planetas.

Oficialmente, seu nome é Herminiimonas glaciei. Em forma de bastonetes, ela tem apenas 0,9 micrômetros de comprimento por 0,4 micrômetros de diâmetro e possui uma cauda, um flagelo, que serve como orgão locomotor. Justamente por ser tão pequena, sobrevive com pouquíssimos nutrientes e só precisa de estreitas veias no gelo para se abrigar.

Sim, ela pode se mover no gelo em busca de comida. O gelo não é uma substância pura: contém detritos como areia, células de bactérias, esporos de fungos, minerais e outros materiais orgânicos. A Herminiimonas glaciei é uma habitante desse micro-nicho, micro-habitat glacial.

Para despertar a bactéria, trazê-la de volta à vida, os cientistas aqueceram-na muito lentamente: foram sete meses para alcançar 2° C [dois graus centígrados]; depois, a temperatura foi estabilizada, quando chegou os 5º C, por quatro meses e meio. Em seguida foram observados os primeiros sinais de ressurreição: ela se começou a se reproduzir formando colônias.

Micróbios similares podem estar se desenvolvendo, vivendo no gelo de planetas e luas, como nos pólos de Marte, ou na camada de gelo da lua jupteriana Europa. O gelo é o meio ideal para a preservação do ácido nucleico [DNA], de outros compostos orgânicos e células. É alta a chance de encontrar microrganismos em ambientes congelados.


Fonte: COGHLAN, Andy. Resurrection bug' revived after 120,000 years
In New Scientist ─ publicado em 15/06/2009



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